Victor Klauck
Os
séculos XV e XVI foram marcados pelo fim da era medieval, pelo surgimento do
Humanismo e pelo domínio do capital. É nessa fase conturbada que as críticas à
sociedade por meio da arte se intensificam. Dentro desse conceito, encontramos
dois artistas que, por meio de artes diferentes, buscam representar a triste
realidade do capitalismo e da mudança de valores.
O
primeiro deles é Hieronymus Bosch. Pintor flamengo, nascido na metade do século
XV, Bosch teve como uma de suas principais obras “O carro de feno”. Na
tentativa de representar a situação da época, Bosch criou um carro feito de
feno seguindo em direção ao seu inevitável fim: o inferno. O carro é conduzido
por figuras monstruosas e passa por cima de tudo (e de todos) em seu caminho.
Atrás dele, uma massa de nobres e pessoas do clero o segue de perto. Em torno,
pessoas de todas as origens observam-no e tentam sair de seu caminho. Acima, a
representação do sagrado fica em segundo plano, numa clara representação da
mudança de valores.
Essa
é a nova realidade: tudo passou a girar em torno do capital e da riqueza
terrena. Alguns lutam por mais riqueza, outros para não serem esmagados pelo
consumismo. Porém, todos os gananciosos terão o mesmo destino do carro de feno.
Hieronymus,
porém, não era o único a criticar esses hábitos. De maneira geral, todos os
humanistas eram críticos da sociedade. Dentre todos os escritores e artistas da
época, um dramaturgo, criador do teatro vicentino, merece ser lembrado: Gil
Vicente (daí “vicentino”) foi um grande escritor de autos e critico do
consumismo. Num de seus autos mais famosos, Vicente mostra de maneira (muito)
explícita que “todo mundo que dinheiro”. Em uma das passagens do Auto da
Lusitânia, Vicente cria personagens que representam a sociedade, chamando-os de
“Todo o Mundo” e “Ninguém”. Num breve diálogo, Todo o Mundo e Ninguém conversam
sobre valores. A conversa é acompanhada por Belzebu e seu Dinato, que anota
tudo que é falado. As ideias divergentes mostram que “Ninguém busca
consciência/e Todo o Mundo dinheiro”.
O
Humanismo prova que as críticas sociais não são recentes. A arte vem, há muitos
séculos, fazendo esse papel nas mais diversas formas. O Humanismo foi inovador
a respeito. Por meio de autos, monólogos, pinturas e tantas outras formas, os
humanistas representaram, e com êxito, o surgimento da busca incessante pelo
dinheiro e pela riqueza material.

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