Victor Klauck
Pré-requisitos para ter,
de fato, um bom proveito de um texto literário: uma mente aberta, bom
conhecimento da língua e, obviamente, muita imaginação. Ah, é realmente preciso
muita imaginação.
A literatura é uma caixa
de surpresas que, quando aberta, permite viajar por mundos nunca antes
explorados. O que parece ser apenas uma simples história, ou um simples poema,
se revela incrivelmente rico de significados e de possibilidades. E, de
simples, o texto literário não tem nada.
Grandes escritores, tais
como Rimbaud e Sophia de Melo, possuem uma grande facilidade em transcrever
para suas obras aquilo que chamamos de plurissignificação: Uma palavra ou uma
frase é colocada de tal maneira no texto que cria novos sentidos, podendo gerar
ironia, enigmas ou uma relação entre a palavra (ou a frase) e a história do
autor ou da personagem, por exemplo. Isso cria um vão entre o significado
literal e um significado mais profundo e interpretado. Para entender mais sobre
essa interpretação, vamos analisar o texto “Pausa” de Mario Quintana. Nele,
Quintana observa atenciosamente um óculos colocados sobre a mesa onde ele
trabalhava. A partir desses óculos, o autor busca imagens em sua memória que se
relacionem com o objeto ou que sejam lembrados pelo mesmo. Além das lembranças
promovidas pelo leitor, podemos analisar esses óculos como a concretização de
uma ideia abstrata: o ato de repouso, de fazer uma pausa. Essa representação
concreta de algo abstrato, assim como trazer ritmo ao texto e de criar um
conceito, são elementos (e técnicas) indispensáveis na literatura, e são
conhecidos como níveis de linguagem.
Para terminar, há dois
aspectos que eu não posso deixar de mencionar: a tendência à pessoalidade (o
que não faz dessa minha crônica um texto literário) e a relação texto-leitor. A
beleza da literatura está contida nessa relação. Muitas vezes quem dá sentido à
obra é o leitor, e cauda um possui um papel importante nessa relação.
Parafraseando Quintana, o autor deve “propor enigmas e fazer pensar”. E a nós,
meros leitores, cabe a função de interpretar esses enigmas.
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