segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"Os Mundos da Literatura"


 Victor Klauck 
Pré-requisitos para ter, de fato, um bom proveito de um texto literário: uma mente aberta, bom conhecimento da língua e, obviamente, muita imaginação. Ah, é realmente preciso muita imaginação.
A literatura é uma caixa de surpresas que, quando aberta, permite viajar por mundos nunca antes explorados. O que parece ser apenas uma simples história, ou um simples poema, se revela incrivelmente rico de significados e de possibilidades. E, de simples, o texto literário não tem nada.
Grandes escritores, tais como Rimbaud e Sophia de Melo, possuem uma grande facilidade em transcrever para suas obras aquilo que chamamos de plurissignificação: Uma palavra ou uma frase é colocada de tal maneira no texto que cria novos sentidos, podendo gerar ironia, enigmas ou uma relação entre a palavra (ou a frase) e a história do autor ou da personagem, por exemplo. Isso cria um vão entre o significado literal e um significado mais profundo e interpretado. Para entender mais sobre essa interpretação, vamos analisar o texto “Pausa” de Mario Quintana. Nele, Quintana observa atenciosamente um óculos colocados sobre a mesa onde ele trabalhava. A partir desses óculos, o autor busca imagens em sua memória que se relacionem com o objeto ou que sejam lembrados pelo mesmo. Além das lembranças promovidas pelo leitor, podemos analisar esses óculos como a concretização de uma ideia abstrata: o ato de repouso, de fazer uma pausa. Essa representação concreta de algo abstrato, assim como trazer ritmo ao texto e de criar um conceito, são elementos (e técnicas) indispensáveis na literatura, e são conhecidos como níveis de linguagem.
Para terminar, há dois aspectos que eu não posso deixar de mencionar: a tendência à pessoalidade (o que não faz dessa minha crônica um texto literário) e a relação texto-leitor. A beleza da literatura está contida nessa relação. Muitas vezes quem dá sentido à obra é o leitor, e cauda um possui um papel importante nessa relação. Parafraseando Quintana, o autor deve “propor enigmas e fazer pensar”. E a nós, meros leitores, cabe a função de interpretar esses enigmas. 

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