Bárbara Ferrari
O
humanismo é uma época de transição, por isso conserva alguns valores, que ficam
divididos entre os tradicionais e os mais modernos.
A
obra de Hieronymus Bosch, “O carro de feno”, retrata muito bem esses valores
divididos. Em grande destaque aparece a representação de um carro de feno,
simbolizando o dinheiro, o apego aos bens materiais. Este é puxado em direção
ao que representaria o inferno. Em oposição a isso, aparece a figura de Cristo,
simbolizando a salvação. Podemos perceber também uma grande multidão assaltando
o carro.
Estabelecendo
uma relação com a obra de Gil Vicente, podemos perceber as características
comuns: o caráter alegórico (usando o concreto, a imagem no quadro e a criação
de um personagem, para representar o abstrato, neste caso, Deus e o diabo); a
crítica social em que todo mundo se preocuparia com o dinheiro, a ganância,
bens materiais e chegar ao paraíso, mas ninguém se preocupa com sua
consciência, em ser bom, em fazer por merecer chegar ao paraíso; os tipos,
personagens que são típicos e não têm traços psicológicos complexos, eles são
bastante simples, assim como no quadro, onde são representados com muita simplicidade.
Nos
dois casos fica bastante explícito esse “digest” da época, no caso, essa
divisão dos valores.
Os
dois também criticam temas que estavam ganhando muita força naquele momento,
como o capitalismo, o apego exagerado as coisas terrenas e a falta de amor ao
próximo e a si mesmo.
Podemos
observar com essas comparações que a literatura e as artes plásticas sempre
estiveram muito ligadas e funcionavam, uma para com a outra, como espécie de
complementação e reafirmação de suas ideias.
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