segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"Fantasia ou Realidade?"



Bárbara Ferrari


O humanismo é uma época de transição, por isso conserva alguns valores, que ficam divididos entre os tradicionais e os mais modernos.

 A obra de Hieronymus Bosch, “O carro de feno”, retrata muito bem esses valores divididos. Em grande destaque aparece a representação de um carro de feno, simbolizando o dinheiro, o apego aos bens materiais. Este é puxado em direção ao que representaria o inferno. Em oposição a isso, aparece a figura de Cristo, simbolizando a salvação. Podemos perceber também uma grande multidão assaltando o carro.

Estabelecendo uma relação com a obra de Gil Vicente, podemos perceber as características comuns: o caráter alegórico (usando o concreto, a imagem no quadro e a criação de um personagem, para representar o abstrato, neste caso, Deus e o diabo); a crítica social em que todo mundo se preocuparia com o dinheiro, a ganância, bens materiais e chegar ao paraíso, mas ninguém se preocupa com sua consciência, em ser bom, em fazer por merecer chegar ao paraíso; os tipos, personagens que são típicos e não têm traços psicológicos complexos, eles são bastante simples, assim como no quadro, onde são representados com muita simplicidade.

Nos dois casos fica bastante explícito esse “digest” da época, no caso, essa divisão dos valores.

Os dois também criticam temas que estavam ganhando muita força naquele momento, como o capitalismo, o apego exagerado as coisas terrenas e a falta de amor ao próximo e a si mesmo.

Podemos observar com essas comparações que a literatura e as artes plásticas sempre estiveram muito ligadas e funcionavam, uma para com a outra, como espécie de complementação e reafirmação de suas ideias.

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